segunda-feira, 2 de julho de 2012

Capítulo 13 Pegando pesado


Segunda-feira, 23 de Novembro
16:15
Dia terrível. Jackie sugeriu que a gente fizesse alguma coisa para matar o tempo durante a aula de alemão enquanto Herr Kamyer se divertia declinando verbos no quadro-negro. (Que língua idiota é o alemão, você precisa esperar o final da frase para descobrir qual é o verbo. Mas minha atitude a essa altura é, não estou nem aí!! Acho que talvez comece a chamar o meu pai de Vater e a minha mãe de Mutter. Só para variar, Vati e Mutti, de forma abreviada.) Bem, Jackie disse que devíamos nos dar notas, de um a dez, relativas aos nossos atrativos físicos. Faziam parte da lista: pele, cabelos, olhos, nariz, corpo, boca, dentes. Você tinha que escrever os quesitos da lista e pôr seu nome no alto do papel e depois distribuir para todo o mundo para que te dessem uma nota. Éramos Jackie, Alison, Jas, Rosie, Jules, Ellen e Beth Morgan. Eu não queria fazer aquilo, mas é impossível dizer não a Jackie. Eu dei mais ou menos nota máxima para tudo ... mesmo diante da evidência óbvia ao contrário. Por exemplo, dei sete pontos pelos dentes de Beth - minha lógica é que podiam ficar bonitos quando os da frente voltassem a crescer para dentro, nunca se sabe. Todas as notas foram dadas anonimamente. Depois a gente recebia nossos papéis de volta, com as notas para cada item. Minha lista ficou assim:
Pele 7 8 8 7 8 8 7
Cabelo 8 8 8 8 8 8 8
Olhos 7 8 8 8 8 8 8
 Nariz 4 3 3 0 4 4,5 4
 Corpo 7 6 7 7 7 7,5 7
Boca 6 6 6 6 5 61/3 6
Dentes 8 8 9 9 8 9 9
Alguém deu zero para o meu nariz!!!! Eu recebi as notas mais baixas entre todas. Meus melhores itens foram os dentes! Jas recebeu praticamente só oitos em todos os itens e estava naquele estado de espírito ultrapentelho de quando você se sai muito bem numa prova e banca a "boazinha" com quem não se deu tão bem. Comparamos as notas a caminho de casa. - Você recebeu melhores notas pela sua boca do que eu, Jas. O que há de errado com a minha? Por que a sua é tão melhor? Você me deu seis e um terço? Parece ser a sua letra. Ela ficou meio acovardada quando falei isso: - Parece? .. Não, acho que não é a minha letra não. Foi aí que eu a peguei: - Está certo, se não foi esta, deve ter me dado menos ainda. - Ah, sim, é verdade, é minha letra sim - ela recuou. Eu fiquei lívida: - Qual é o defeito de minha boca? - Nenhum, foi por isso que te dei seis e um terço. - Mas essa nota é apenas média. - Tudo bem, eu sei que devia ter te dado mais porque acho que a sua boca decididamente merece sete, ou até mesmo oito, quando está fechada. - Quando está fechada ... - repeti perigosamente. Jas estava vermelha como dois tomates. - Olha, eu tive que avaliar a coisa de modo geral. Olha só, o problema é o seu sorriso. - O que tem de errado com meu sorriso? - Bem, quando você sorri, devido ao fato de a sua boca ser tão grande ... - Sim, continue por favor ... - Bem, parece que sua cara fica dividida em duas, o que esparrama ainda mais o seu nariz.
19:00
No meu quarto, diante do espelho, praticando sorrir sem esparramar meu nariz. Impossível, jamais poderei sorrir de novo.
20:00
 Liguei para Jas. - Jas, você só me deu sete e meio pelo meu corpo, e eu te dei oito. - E daí? - Ora, só te dei oito porque você é minha amiga. - Bem, eu só te dei sete e meio porque você é minha amiga. Eu ia te dar sete.
Meia-noite Que audácia de Jas só me dar - o que foi mesmo? - oito pelos meus olhos? Eu dei oito pelos dela e são olhos castanhos e estúpidos.
1:00
 Só pode ter sido aquela idiota da Beth Morgan quem me deu quatro, três ou zero pelo meu nariz. Eu dei seis e meio pelo dela e estava sendo supergenerosa. Que adianta ser uma pessoa simpática?
Quinta-feira, 26 de Novembro
21:00
Vati soltou uma bomba hoje - ele vai fazer uma viagem à NOVA ZELÂNDIA porque ele e a minha mãe estão pensando em ir morar lá! Não sei por que se deram ao trabalho de me contar. Não consigo entender o que isso tem a ver comigo. Foi logo quando eu me apressava para ir ao colégio que Vati disse: - Georgia, não sei se você já ouviu falar alguma coisa a respeito disso, mas tem surgido um monte de problemas no meu trabalho. - Vati, não me diga que a gente vai ter que viver de esmolas. Se a gente ficar muito duro, podemos vender aquele seu avental.

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