sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Capitulo 21 Jas precisa morrer


Segunda-feira, 18 de janeiro
aula de biologia
14:40
Eu consigo fazer uma bela imitação de uma crise de tétano. Rosie acabou de me passar um bilhete: Querida Gegê, você sabe que temos dois tempos livres seguidos na quinta? Olha, você gostaria de fugir daqui e ir até o centro da cidade? Beijos.
16:30
Vim com Jas para casa. Acho que ela está se recuperando bem.
- O que você acha desse gloss? Acha que ele me faz ficar um pouco parecida com a Gisele Bünchen? Acho que a minha boca tem o mesmo formato da dela. - Gostaria de não ter começado com tudo isso, mas se ela quer viver no mundo maravilhoso da fantasia e isso a anima... Fomos até a casa dela e subimos até seu quarto. Ah, as delícias de um lar normal, sem uma mãe pirada, irmã esquisita, animais selvagens... A mãe de Jas perguntou se a gente queria sanduíches de pasta de avelã. Imagine se minha mãe faria isso Imagine minha mãe em casa! Acho que ela é um bom exemplo se você quiser ser um chefe de repartição pública - mas será que ela também não podia fazer um sanduíche de vez em quando?
No quarto de Jas, tomamos nossas medidas vitais com a fita métrica. Eu estou com oitenta e um de busto, cinqüenta e oito de cintura e oitenta e um de quadril e Jas está com setenta e seis, cinqüenta e oito e oitenta e quatro. Acho que ela encolheu a barriga para medir cinquenta e oito. Além disso, minhas pernas são cinco centímetros mais compridas que as dela. (Não disse para Jas que uma de minhas pernas é dois centímetros mais longa que a outra. Como é que se pode começar a ficar manca na minha idade? Talvez seja porque eu carrego minha mochila num ombro só e, por isso, esse lado está ficando mais comprido. Preciso lembrar de trocar de ombro. Ninguém gosta de uma garota torta.)
Quinta-feira, 28 de janeiro
15:30
Rosie se levantou primeiro e saiu da sala. A Srta. Wilson chegou enquanto a gente ainda estava tendo aula para "supervisionar", mas perguntamos a ela quem inventou Deus e ela foi embora rapidinho. Estávamos ocupadas fazendo uma lista de todas as qualidades que a gente gostaria que um namorado possuísse: senso de humor, um belo sorriso, fosse bom dançarino, gostasse de beber etc. A lista de Rosie dizia simplesmente "ENORME". Eu perguntei por escrito: "Enorme o quê?" E ela respondeu: "Tudo enorme." "Dentes enormes, você quer dizer?" eu escrevi. E ela mandou o papel de volta com um simples "sim" escrito. Acho que Sven começou a contagiá-la com sua dinamarquice.
Rosie, Jools e Ellen saíram na frente, depois eu e Jas as seguimos. A gente se encontrou no banheiro do térreo e pusemos nossas botas, as camisetas mais justas e nos maquiamos. A gente se certificou de que a barra estava limpa e saímos pela porta dos fundos. Tivemos que nos agachar para passar pelas janelas do bloco de ciências - a Olho de Águia estava dando aula ali e ela é capaz de farejar uma garota a vinte passos de distância. Depois de ultrapassado o bloco de ciências, demos uma corridinha por trás da casa do Elvis. Ele estava ali, lendo o jornal e, quando passamos bem de mansinho, o ouvimos peidar alto e dizer "perdão". Comecei a rir e logo todo o mundo me acompanhou. Tivemos de correr como umas loucas. Durante a tarde inteira, se alguém fizesse qualquer coisa a gente dizia "perdão".
Estava ótimo na 800ts. Experimentamos todas as amostras e aquela parada que você põe no cabelo e que, num passe de mágica, cria uma mecha colorida nele. Experimentei todas as tonalidades, mas foi o louro que deu um realce de verdade. Fiz só uma mecha na frente. Eu sabia que ia ficar legal. Vou conseguir convencer minha mãe a me deixar pintar o cabelo de louro agora que Vati está bem em Whangamata.
Meia-noite
Dia incrível!!! Jas e eu cantamos "Respect", da Aretha Franklin, a caminho de casa.
Fevereiro
Jas precisa morrer
Sábado, 6 de fevereiro
11:00
A campainha tocou. Minha mãe estava no banheiro tirando a roupa de Libby. Essa não era uma bela visão. Durante o fim de semana, minha mãe veste um macacão horrível que só lésbicas ou gente que congelou nos anos sessenta usa. Libby cantava "quem tem medo do bobo mau, bobo mau ... " ("lobo mau" para as outras pessoas).
Ela estava feliz como um pinto no lixo, mas a minha mãe estava toda nervosinha.
- Quer atender, Gegê? Deve ser um construtor chamado Jem para quem liguei para vir olhar a sala de estar. Mande ele entrar e faça uma xícara de café enquanto eu acabo isso.aqui.
Ao abrir a porta, tive uma impressão de cabelos louros e jeans, mas então ouvi a maior gritaria vinda do jardim da casa do lado. A vizinha gritava:
- Pega ele, pega ele! - e corria pelo jardim com uma vassoura. Eu pensei que Angus tivesse finalmente pegado o poodle, mas quando olhei por cima da cerca vi que ele estava com uma coisinha marrom na boca.
A vizinha gritou para mim:
- Vou chamar a polícia! É o hamster da minha sobrinha que a gente estava tomando conta. E agora essa, essa... COISA pegou ele.
Angus ficou agachado não muito longe dali. Eu disse, na minha voz mais zangada:
- Larga, larga, Angus.
Ele foi ensinado a reconhecer a minha voz e soltou o hamster. Fui andando até lá para pegar o hamster, mas ele começou a fugir todo assustado. Depois dele ter andado alguns centímetros, Angus esticou sua pata enorme que pousou simplesmente no traseiro do bicho. Ele ficou se contorcendo, Angus bocejou e tirou a pata de novo. O hamster fugiu novamente e Angus se levantou com preguiça e correu atrás dele. Ele virou o hamster de costas, sentou em cima dele e fechou os olhos para tirar uma sonequinha.
- Desculpe, ele às vezes é muito irritante, mas está só brincando com o bicho - eu disse para a vizinha, mas ela não foi nada compreensiva. Consegui afastar Angus do seu coleguinha de brincadeiras puxando-o pela coleira. A vizinha disse que vai reclamar com uma autoridade qualquer. Com quem será? A carrocinha dos gatos?
Jem estava observando tudo da nossa porta. Ele tinha um sorriso simpático que fazia com que a cara dele ficasse toda enrugada.
- Ele é grande para um gato, não é? - comentou ele.
Eu dei um suspiro:
- Entre, minha mãe está no banheiro, vai sair num minuto. - Jem entrou na sala da frente e dei a ele um pouco do meu café. Ele até que ainda é bem gato para um cara mais velho.
Mamãe entrou depressa ainda vestindo seu macacão. Então, ela viu Jem, ficou toda esquisita e mais vermelha ainda. Ela soltou um "oh!" e simplesmente saiu da sala.
Eu sacudi os ombros para Jem.
- Você já está fazendo cursinho para o vestibular? - ele perguntou (incrível, Jem achou que eu tinha pelo menos dezesseis anos... há, há, há, há, há) ...
Eu soltei um "oh" também e foi nessa hora que a minha mãe voltou de BATOM e vestindo roupas decentes. Deixei os dois sozinhos.
Domingo, 7 de fevereiro
11:00
Vesti minha minissaia e fui com Jas ficar indo e voltando da minha rua até a avenida principal. Queríamos ver quantos carros com garotos buzinariam para a gente. Dez!! (Ficamos indo e voltando durante quatro horas... Mas, mesmo assim, dez são dez!!!)
Segunda-feira, 22 de fevereiro
16:15
Algo realmente estranho aconteceu hoje quando Jas e eu saímos do colégio. Robbie estava no portão. Ele estava encostado no carro dele. Eu gostaria que minhas pernas não virassem gelatina toda vez que eu o vejo.
Como é que você se obriga a não gostar de alguém? Acho que a gente deve se concentrar nos seus defeitos. Talvez ele tivesse mãos horrorosas ... Por isso, olhei para as mãos dele... Elas são lindas - fortes, mas também bastante artísticas. Como se ele pudesse armar uma prateleira e te levar ao ápice do prazer sexual
ao mesmo tempo. Aposto que ele não descansa a mão no peito das garotas ... Mas eu bem que gostaria que ele tocasse no meu... Ai, cala a boca, Georgia!!!!! Aliás, eu estava me preparando para exibir o meu jeito mais descolado quando ele disse:
- Oi, Jas, e aí?
- Ah, oi, Robbie. Estou bem, obrigada, e você? - Jas ficou toda vermelha.
- Tudo legal - ele respondeu. - Jas, será que eu podia dar... Uma palavrinha com você? Que tal vir tomar um café comigo na quarta-feira que vem, depois do colégio?
- Eh... Sim ... Eh... Claro. Está bem. Te vejo na quarta - disse Jas.
Eu fiquei literalmente muda.
Quando chegamos na casa de Jas, eu passei pelo portão, entrei na sala e subi direto para o quarto dela. Era como se eu tivesse uma bola de pêlos na minha garganta. Achei que eu fosse sufocar, explodir e me cagar, tudo ao mesmo tempo.
Jas sentou na sua cama e simplesmente suspirou.
- O que você quer dizer com esse suspiro? - eu perguntei.
- Nada. Foi só um suspiro.
- E por que você está suspirando? É porque ele quer te ver?
Ela olhou para suas unhas de uma maneira muito irritante:
- Não sei.
- Mas você não vai, não é?
- Ele me convidou para tomar um café e eu disse que iria.
- Eu sei, mas você não vai, não é? - eu insisti.
Ela olhou para mim:
- E por que eu não iria? Ele disse que queria falar comigo.
Não dava para acreditar.
- Mas você sabe que ele é meu inimigo mortal.
Jas ficou toda racional.
- Eu sei, mas ele não é inimigo meu, e parece gostar realmente de mim.
Eu fiquei bolada.
- Jas, se você for minha amiga, não vai se encontrar com Robbie.
Ela simplesmente ficou calada e apertou os lábios. Eu saí da casa dela batendo a porta.
Terça feira, 23 de fevereiro
23:00
Saí de casa hoje dez minutos mais cedo e fui caminhando pelo outro lado da rua. Jas geralmente fica esperando em frente ao portão da casa dela entre oito e meia e oito e quarenta e cinco e, se eu não aparecer, ela vai embora. Passei pela casa dela correndo e me escondendo como uma maluca e cheguei dez minutos antes da assembléia.
A Olho de Águia me parou:
- Eu nunca vi você chegar tão cedo para coisa alguma, o que está acontecendo? Vou ficar de olho em você. - Francamente, a Olho de Águia é desconfiada demais. Acho que ela não deve ter mais nada para fazer, nenhuma vida própria. Quando entrei na sala da assembléia não fiquei no meu lugar normal e fui falar com Rosie. Jas entrou e foi para onde costumávamos ficar juntas. Ela me viu e me deu um sorriso amarelo, mas eu lhe lancei o meu olhar mais terrível.
Só a vi de novo na hora do almoço quando ela entrou no banheiro. Fiquei meio encurralada porque eu estava secando minha franja com o secador portátil. Tinha dormido em cima dela durante a aula e ela estava toda descabelada. Eu estava com a cabeça virada para baixo quando ela disse:
- Olha, isto é uma bobeira. A gente não pode brigar por causa de um cara qualquer.
- "Numéuncaracalqué." - Eu tentei falar.
- O quê?
Eu me levantei e a encarei.
- Jas, você sabe o que eu passei por causa de Robbie, ele não é simplesmente "um cara qualquer."
Ela estava bancando a Senhorita Racional:
- Por que você está tão incomodada? É só um café... por enquanto.
Eu caí sobre aquilo como um rato sobre um biscoito.
- O que você quer dizer com "por enquanto"?
Ela estava passando gloss, franzindo a boca diante do espelho... Ela pirou de verdade, acha que se parece com a Gisele Bünchen.
- Eu estou só dizendo que por enquanto é só um café, se algo mais acontecer, você será a primeira a saber, é claro. - Foi nessa hora que eu chutei a canela dela. QUE CARA-DE-PAU! É isso aí!!! Nunca mais vou falar com Jas.
Sábado, 27 de fevereiro
10:00
Minha mãe já está de pé na cozinha e cantarola como alguém feliz, seja lá o que isso for.
Fiz uma lista de minhas amigas:
Tenho 12 "íntimas casuais",
20 "apenas sociais" e
6 do "círculo interno" (sabe, o tipo de amigas que vão chorar no seu enterro).
Libby é pequena demais para ser uma amiga, apesar de ser mais companheira do que a maioria, se é que dá para entender. Jas está fora da minha lista.
10:30
Será que tenho amigas suficientes? Fico preocupada, se a companhia de celular me pedir uma lista de dez amigos e familiares para constar da minha lista de ligações com tarifa reduzida, será que terei de consultar o catálogo astrológico para listar as dez pessoas de Libra para quem ligo com mais freqüência?
11:00
A campainha tocou.
- Atenda, por favor - berrou minha mãe. Era Jem. Ele é realmente muito legal e malhado. Estava usando uma camiseta e dava para ver os braços musculosos. Eu sorri para ele. Talvez precise de um homem mais velho para me ensinar os caminhos do amor...
11:05
Mamãe saiu correndo do quarto com Libby.
- Você poderia ir dar um passeio com a sua irmã, meu amor? Obrigada. E você Jem, quer um café?
- Impossível recusar, estou meio de ressaca - ele respondeu.
Ela deu um risinho (é isso mesmo, ela soltou uma risadinha).
- Francamente, não sabia que você era disso! Foi divertido?
Eles foram para a cozinha.
- Claro, fomos a uma boate muito divertida, você devia nos acompanhar uma noite dessas.
Ela deu outra risadinha:
- Cuidado, olha que posso levar isso a sério.
Não pude ouvir o que aconteceu depois disso porque Libby me bateu com seu macaco.
- Sair agora - ela disse e, assim, tive que ir.
Só me faltava essa! Minha mãe fugir com um construtor enquanto Vati está tentando construir uma vida nova para ela na Nova Zelândia...
Na verdade, colocada assim, a coisa parece até bastante justa...
Vati mandou uma carta e algumas fotos de Whangamata. Ele disse mais ou menos o seguinte:
A aldeia possui a maior atividade geotérmica do mundo. Outro dia, eu estava almoçando no jardim e a mesa pulava e tremia... Mal consegui comer o meu bife. A terra fica balançando porque debaixo da crosta terrestre existem milhares de toneladas de lava e vapor tentando escapar. As árvores ficam indo de um lado para o outro, os carneiros pulam...
Ah, que legal, Vati, estarei aí pelo próximo vôo. Pode esperar sentado. E ele mandou fotos de seus amigos neozelandeses... todos tinham barbas cerradas, pareciam o Fidel Castro.
Ainda assim, ele é meu Vati, serei obrigada a ter uma conversinha com a minha mãe para salvar a família.
12:05
Não posso ficar preocupada com isso.

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