setembro
Terça feira, 1º de setembro
10:00
Faltam seis dias para o colégio e o tempo está voando. Eu gostaria que minha mãe fosse uma mulher emancipada, uma feminista, uma mãe que trabalhasse fora etc., mas que também conseguisse passar minhas roupas. Pensei em usar minha saia riscada no primeiro dia de aula, com meias de elástico e minhas botinhas curtas. Ainda não me resolvi direito sobre o assunto maquiagem porque se eu topar com a Olho de Águia ela me fará removê-la na hora, se notar algo. Aí ficarei com aquela cara vermelha e brilhante que é tão popular entres os professores de Educação Física. Por outro lado, não posso de jeito nenhum me arriscar a ir para o colégio sem maquiagem. Por mais que eu passe pelas ruas secundárias, mais cedo ou mais tarde estarei fadada a encontrar os garotos de Foxwood. Minha maior preocupação é a porra da boina. Preciso consultar a turma sobre qual será nosso plano para ela.
17:00
Vamos fazer nossa reunião de emergência sobre a Boina e Outras Formas de Tortura amanhã, aqui em casa, de novo. Eu agora estou com sobrancelhas, mas elas ainda parecem duas centopéias espantadas.
19:00
Depois do chá, quando o meu pai estava lavando a louça, perguntei casualmente: - Por que você não usa seu avental especial, pai? Ele ficou uma fera e disse que eu não devia bisbilhotar as gavetas dele. - Acho que tenho o direito de saber se meu pai é travesti -disse eu. Minha mãe riu, o que o fez ficar ainda mais irritado. - Você está dando corda para ela, Connie. Você não demonstra nenhum respeito por mim, então como esperar que ela me respeite? Ela tentou tranqüilizá-lo: - Calma, Bob, é claro que eu respeito você. Só que é engraçado te imaginar como um travesti. - E começou a rir de novo. Meu pai resolveu ir para o bar, graças a Deus. Foi então que minha mãe me explicou: - Aquele é o avental maçônico dele. Sabe, a roupa daquela turma que fica dizendo tipo uma mão lava a outra, coça minhas costas que eu coço a sua, esse tipo de coisa. Eu sorri e concordei com a cabeça, mas não faço a mínima idéia sobre o que ela estava falando.
23:30
Por que eu não posso ser adotada? Será que é tarde demais? Será que estou muito velha para ligar para o disque-adoção? Talvez eu arranjasse uma mãe ainda mais perua do que a minha. Deus me livre.
Quarta-Feira, 2 de setembro cinco dias pra o purgatório
10:00
Ah, não. Ele já chegou. Numa "oferta" especial, meu primo James vai dormir hoje à noite aqui em casa. Quero dizer, eu gostava dele e éramos muito íntimos quando criança e tudo o mais, mas ele agora ficou tão bobão. Sua voz é toda esquisita e ele cheira mal. Não é cheiro de hamster como o de Libby, e sim um odor que parece uma mistura de fedor de queijo com morrinha de cachorro. Não acho que todos os garotos cheirem assim, talvez isso aconteça porque ele é meu primo.
14:00
Na verdade, James não deixa de ser divertido. Ele parece muito mais novo que eu e ainda gosta de dançar loucamente ao som de discos velhos, como a gente costumava fazer. Nós elaboramos umas coreografias baseadas em velhos discos de soul da minha mãe. "Reach Out 1'11Be There" dos Four Tops, foi bastante dramático. Eram dois passos muito legais: a gente colocava uma mão no coração, a outra na cabeça, dava um bamboleio e um giro completo. Infelizmente não tem muito espaço no meu quarto e James pisou em Angus, que, como de costume, endoidou. Na verdade, o que seria estranho era dizer "Angus ficou calmo". De qualquer forma, ele subiu pelas cortinas e finalmente se encarapitou em cima da porta, onde ficou agachado, sibilando (isto é, estou falando de Angus, não de James). Tentamos fazê-Io descer e também tentamos ir ao banheiro, mas ele não nos deixava ir. Se tentássemos passar pela porta, ele nos golpeava com sua enorme pata. Acho que ele é metade gato, metade cobra. No fim, minha mãe conseguiu fazê-lo descer com algumas sardinhas.
19:00
Depois do "chá", James e eu estávamos ouvindo discos e falando sobre o que faríamos quando a gente se livrasse dos velhos (que é como nós chamamos nossos pais). Eu vou ser uma atriz de filmes de comédia ou alguém como aquelas garotas badaladas que na verdade nada fazem além de badalar. Os jornais as seguem o dia inteiro e as manchetes dizem: Ah, olhem só Tara Tuaila saindo para comprar biscoitos!! ou Tetê Phanardzis esquiando num biquíni de pele. E elas simplesmente ganham dinheiro com isso. Isso tem tudo a ver comigo. James quer fazer algo eletrônico (seja lá o que isso quer dizer. Eu não o animei a explicar porque senti a ameaça de um coma chegando). Ele quer viajar primeiro, contudo. Eu perguntei para onde ele queria ir, pensando em lugares como o Himalaia, com manteiga de iaque, casas de ópio e todas essas coisas, e ele disse: - Bem, queria ir para as Ilhas Scilly, especialmente.
13:00
Aconteceu algo meio estranho. Fomos para cama - James dormia num saco de dormir em cima de umas almofadas no chão, e a gente estava conversando sobre o Pulp e coisa e tal, e aí eu senti uma pressão na minha perna. Ele tinha estendido o braço e segurado a minha perna. Eu não sabia o que fazer, por isso fiquei quietinha, para que ele pensasse que estava segurando um pedaço da cama ou algo assim. Fiquei quieta
durante séculos, mas acho que devo ter caído no sono.
Quinta-feira, 3 de setembro
9:00 Até que enfim minhas sobrancelhas estão começando a parecer normais.
14:00 James foi para casa. O incidente com a "perna" não foi mencionado. Os garotos são realmente esquisitos.
17:00
Libby ficou gripada. Estava toda pálida e se sentindo mal. Deixei que ela dormisse na minha cama e ela estava toda entupida, coitadinha. Eu amo minha irmã de verdade.
20:00
Levei leite quente para Libby e achei que ela gostaria que eu lesse The Magic Faraway Tree. Ela disse: - Quero sim, agora, mais por favor. - E se sentou toda retinha na minha cama. Aí, quando abri o livro ela pegou meu edredom e assoou o nariz nele. Ficou todo cheio de catarro verde. Quem haveria de pensar que uma menininha tão pequena pudesse produzir um balde de catarro?
22:00
Eu tive de dormir no saco de dormir. Que vida.
Sexta-Feira, 4 se setembro
11:00
A reunião de emergência sobre a Boina e Outras Formas de Tortura será realizada esta tarde. Resolvi que minhas sobrancelhas já se recuperaram o suficiente para sair de casa (obviamente não sozinhas). Eu me sinto como um desses caras que andou preso numa solitária no porão da penitenciária e, depois de solto, fica piscando por causada luz do sol. Vamos ao Costa Riccos tomar cappuccinos. Detesto cappuccino, mas todo o mundo toma, então não tinha como recusar. Não saio há semanas - bem, cinco dias. A cidade parece ótima. Como Nova York... mas sem os arranha-céus e os americanos. A gente decidiu fazer a reunião e vamos dar uma olhada no garoto que Jas gosta, Tom. Ele trabalha no Jenning's. - O quê? Ele trabalha na mercearia? - perguntei. Jas me corrigiu: - É uma quitanda e delicatessen. - Ah, sim, eles vendem pasta de grão-de-bico lá - disse eu. - E iogurte - lembrou ela. - Que dommage, eu me esqueci do iogurte. É verdade, entrar naquela loja é como ir a Paris, não fossem os nabos. Jas ficou meio vermelha, por isso achei melhor calar a boca. Jas não fica zangada com muita freqüência, mas tem um chute potente. Jools deu início à reunião: - Vamos conversar sobre o plano da boina?
No nosso colégio idiota, a gente é obrigada a usar uma boina como parte do nosso uniforme. É um verdadeiro porre porque, como é de conhecimento geral, todo o mundo - e especialmente os franceses, que inventaram o troço - fica parecido com uma bunda idiota quando usa boina. E elas achatam o cabelo. No último trimestre, a gente aperfeiçoou um método para usá-las como se fossem uma panqueca. Você achata o troço e em seguida o prende com grampos de cabelo na parte de trás da cabeça. Ainda um saco, mas não dá para ver de frente. Ellen disse que inventara um método alternativo, chamado "a salsicha". Ela nos mostrou como fazer. Enrolou sua boina bem apertada, como uma pequena salsicha e a seguir prendeu-a atrás, bem no centro da cabeça. Mal dava para ver. Brilhante. Decidimos lançar a "Operação Salsicha" no início do trimestre. Essa questão das boinas tem sido uma batalha constante. Os assim chamados adultos não querem negociar com a gente. Mandamos uma comissão até a sala da diretora Fininha (assim chamada porque pesa cento e quinze quilos ... pelo menos. Os pés dela chegam a escapar dos sapatos). A comissão perguntou por que a gente era obrigada a usar boinas. Ela disse que era para manter um alto nível, e para realçar a imagem do colégio diante da comunidade. E eu disse que os garotos da Foxwood gritavam "cadê as baguetes?", chamando a gente de balconistas de padaria quando passávamos por eles e, por isso, achava que eles não nos respeitavam. Pelo contrário. Achava que eles nos gozavam e nos faziam passar vergonha.
Fininha se sacudiu. Era uma espécie de cacoete que ela tinha quando ficava irritada com a gente (i.e., o tempo todo). E que a fazia parecer uma gelatina de sapatos. - Georgia, essa é minha palavra definitiva sobre esse assunto. Boinas devem ser usadas a caminho da escola e de volta para casa. Por que não pensa em algo mais importante, como por exemplo não tirar nota baixa em comportamento no próximo trimestre? Ah, está certo, o mesmo disco arranhado de novo. Só porque eu sou garota empolgada. Fizemos outra campanha no ano passado, cujo título era: "Se vocês querem que usemos nossas boinas, vamos usá-las para valer." Isso consistiu em toda a nossa turma puxando suas boinas para baixo na cabeça, até ficar só com as orelhas de fora. Era muito chocante ver cem meninas no ponto de ônibus só com as orelhas aparecendo. Finalmente paramos (apesar de termos deixado a Fininha e a Olho de Águia superirritadas) porque fazia um calor tremendo, a gente não conseguia ver direito para onde ia, e nosso cabelo ficava todo bagunçado. Acabou a reunião e é hora de dar uma olhada nos garotos. Jas ficou um pouco nervosa de nós todas entrarmos na loja. Na verdade, ela ainda não trocou nem uma frase com Tom - bem, pelo menos nem uma frase diferente de "um quilo de verduras". Resolvemos ficar de bobeira do lado de fora e aí, quando ela entrasse, a gente casualmente a reconheceria e entraria na loja dizendo "oi", Tudo isso seria casual e nos daria a oportunidade de passar os olhos nele e também dar a impressão (errada) de que Jas é uma pessoa superpopular. Jas foi ao banheiro para passar um pouco de corretivo para manter o aspecto "natural" e depois entrou no Jenning's. Dei cinco minutos de intervalo e fui a primeira a entrar pela porta da loja.
Jas estava falando com um garoto alto e moreno de jeans. Ele sorria ao entregar cebolas. Jas estava um pouco vermelha e mexia na sua franja. Esse cacoete é muito irritante. De qualquer forma, eu dei uma parada e disse num tom de alegria e espanto (que chegou até a me convencer): - Jas! ... Oi! O que você está fazendo aí? - E lhe dei um abraço muito caloroso (conseguindo dizer no ouvido dela: "Pára de mexer nessa porra de franja!").
Quando parei de abraçá-la, ela disse: - Oi, Gegê, eu estava comprando umas cebolas. Eu ri: - Bem, cebolas são com você mesma, não é, Jas? Aí entraram Ellen e Jools de braços abertos, dando guinchos de excitação: - Jas! Jas! Que ótimo! Puxa, a gente não te vê há séculos. Como estão as coisas? Nesse meio tempo o garoto, Tom, ficou ali parado. Jas disse para ele: - Ah, me desculpe por fazer você esperar. - E ele falou apenas um "sem problema", e Jas perguntou a ele quanto devia e depois se despediu: - Então até mais, obrigada. - E ele lhe respondeu com um "até mais". Nós saímos depois disso e, quando chegamos a alguns metros de distância, não dissemos nada. Meio que espontaneamente começamos todas a correr o mais depressa possível, rindo.
Acabei de falar com Jas no telefone. Ela acha Tom ainda mais espetacular, mas não sabe se ele gosta dela, de modo que a gente precisa passar por tudo aquilo de novo. Dava para ouvir O pai de Jas ao fundo, gritando: - Se vocês vão se ver amanhã, não dá para esperar e ter dó da minha conta telefônica? Os pais são todos iguais - todos miseráveis. Bem, deixa para lá. Jas continuou falando: - Ele disse "até mais". Concordei, mas acrescentei pensativamente: - Mas ele pode dizer isso para todo mundo, pode ser tipo um "até logo". Isso a aborreceu: - Você quer dizer que acha que ele não gosta de mim? - Não falei isso. Talvez ele nunca diga até mais, a não ser que queira dizer, "te vejo depois". Ela ficou animada: - Então você acha que ele quis dizer "te vejo mais tarde"? - É. Ela ficou calada durante algum tempo. Dava para ouvi-Ia mastigando o chiclete. Então, ela começou de novo: - Mas "depois" será quando? Francamente, assim a gente ia ficar a noite inteira ali. - Jas, EU NÃO SEI. Por que não resolve você quando será esse "depois"? Ela parou de mastigar. - Você quer dizer que eu devo convidá-la para sair?
Sábado, 5 de setembro
10:00
Mesma bat hora. Mesmo bat lugar.
10:15
Jas ligou. Ela quer lançar a "Operação Agarre Tom". Vamos ao "Costa" para um planejamento mais detalhado.
10:30
Lalalalalá. A vida é tão formidável. Lalá. Cheguei até a por delineador sem enfiar o pincel no meu olho. Também experimentei meu lápis de boca novo e acho que fez com que
meu nariz parecesse definitivamente menor. Num raro momento, compartilhei minha ansiedade nasal com a minha mãe. - A gente costumava usar leves toques de tons mais claros e mais escuros para criar um efeito sombreado. Você podia pôr uma leve linha de base no meio e depois escurecer alguns pontos do lado para estreitá-lo - disse ela. Resposta errada, mãe. A resposta certa seria: "Você é linda, Georgia, e não tem nada de errado com seu nariz." Eu não disse isso a ela, não lhe dei essa satisfação. Em vez disso, falei, com a boca cheia de torrada, para depois poder negar se fosse preciso: - Mãe, eu não quero ficar como você e suas amigas eram. Eu vi as fotos e ninguém quer mais parecer com as cantoras do Abba.
11:00
A Sra. Vizinha reclamou de novo de Angus. Ele anda aterrorizando o poodle dela. Ela diz que Angus o espreita. Expliquei que ele era um gato selvagem escocês, e é isso que eles fazem, espreitam suas presas. - Então, nesse caso, eu não acho que ele deveria ser um animal de estimação - comentou ela. - Ele não é um animal de estimação, acredite em mim. Tentei domesticá-Io, mas ele comeu a coleira. Há pouca coisa a ser feita no caso de Angus. Sinceramente, será realmente meu carma ter que lidar com vizinhas histéricas? Por que ela não arranja um cachorro maior? Aquela coisa burra e esganiçada irrita Angus.
13:00 Apesar de tudo, é melhor eu ser simpática, senão serei acusada de ser mais uma "adolescente tempera mental" e o próximo passo será um "toe toe toe" na nossa porta e minha mãe perguntando se eu estou precisando conversar. Os adultos são tão enxeridos!
13:30 Fui até o vizinho e perguntei à Sra. Chatinha Bestinha se ela queria alguma coisa do comércio, já que ia fazer compras. Ela meio que se escondeu atrás da porta. Preciso ser mais legal. Começo a ser simpática e aí é como se outra pessoa tomasse o controle. Será que além de lésbica eu sou esquizofrênica?
14:00 Jas ligou. Ela quer que eu a ajude com a segunda parte de seu plano de agarrar Tom. O plano é sutil. Jas e eu vamos até o Jenning's e, ao passarmos pela porta, darei uma paradinha e direi: "Ah, Jas, acabei de lembrar que tenho que comprar maçãs. Espere um instante." Em seguida, entro na loja e compro as frutas. Jas fica atrás de mim, com um jeitinho displicentemente atraente. Eu sorrio quando Tom me entrega as frutas e aí - esse é o golpe de mestre (ou, na verdade, como a idéia foi minha, o golpe de mestra) - eu digo: "As aulas começam dentro de dois dias. De volta ao Stalag 14. Qual o centro de tortura e chatura que você freqüenta?" (Significando, qual o seu colégio, compreenderam?) Aí ele me diz e ficamos sabendo como encontrar com ele por acaso.
Bem, chegamos ao Jennings e lá estava Tom - Jas ficou meio tonta. Ele é um gato, devo dizer, com cabelos meio encaracolados e um ombro que é tudo de bom. Eu disse meu
"Espera aí, Jas, eu preciso comprar umas maçãs", e entramos, de maneira que ela pudesse ficar atraentemente recuada em relação a mim, conforme planejado. Quando ele a viu, Tom olhou e sorriu. Pedi minhas maçãs e ele disse: - E aí, estão ansiosas para voltar para o colégio? (Espera aí um instante, essa era a minha fala. Mas, como estudei teatro durante quatro anos, pude fazer um improviso): - Será que o papa detesta os católicos? Ele sorriu. Na realidade eu não quis dizer nada sobre o papa, a coisa simplesmente escapuliu. - Qual o colégio de vocês? - Tom continuou. Eu estava a ponto de contar para ele quando um Deus do Sexo emergiu do quarto dos fundos. Juro que ele era tão espetacular que fazia a gente piscar e abrir a boca como um peixinho de aquário. Era muito alto, tinha cabelos escuros compridos, olhos azul-escuros de uma tremenda intensidade, lábios grossos e estava vestido todo de preto. (E isso é tudo de que eu me lembro!) Ele aproximou-se de Tom e lhe entregou um xícara de chá. Tom agradeceu e o Deus do Sexo falou: - Não posso deixar meu irmãozinho aí ralando, servindo maçãs para garotas bonitas, sem nem uma xícara de chá. - Aí, ele PISCOU O OLHO para Tom, SORRIU para mim e saiu pelos fundos. Eu fiquei só ali, olhando para o espaço onde o DS estivera, agarrada a minhas maçãs. - São quarenta pence. Vocês me disseram qual o colégio de vocês? - perguntou Tom.
Saí de meu transe e torci para que não estivesse babando. - Eh... Eu... - E não consegui me lembrar. Jas olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido e disse: - Ah, estudamos na mesma escola há quatro anos, a Latimer and Ridgley. Qual o seu?
10:00
Ainda estou em estado de choque. Acabei de encontrar a Maravilha. E ele é irmão de Tom. E ele é espetacular. Ele me viu de boca aberta. Mas felizmente, de sobrancelhas. Ah, meu Deus! Enfermeira, rápido, o biombo!!
19:05 Tentei abrir minha boca no espelho tal como imaginei ter feito na loja. Não me dá um aspecto muito inteligente mas também não aumenta meu nariz nem um pouquinho, o que é uma vantagem (de certa forma). 1:00
Quantos anos ele deve ter? Preciso amadurecer mais rápido. Começarei amanhã.
Domingo, 6 de setembro
8:00
Quando entrei na cozinha, o meu pai deixou cair sua xícara numa demonstração (não) hilária de espanto pelo fato de eu ter acordado tão cedo. - O que aconteceu, Gegê, sua cama pegou fogo? Está febril? Ainda não é meio-dia, por que levantou? - Desci para tomar um copo de água morna, se isso não for ofender ninguém. (Beber um
copo de água morna faz uma limpeza gigante no organismo, preciso evitar um ataque de espinhas a todo custo.) Minha mãe estava se despedindo: - Bem, lá vamos nós. Libby, dê um beijo na sua irmã mais velha antes de sairmos. - Libby me deu um grande beijo estalado, muito legal só que meio lambuzado de mingau. Contudo, preciso perseverar.
8:00
Terminei o programa de ioga da Nova para se obter paz interior e auto-segurança. Juro me levantar uma hora antes da hora do colégio e fazer as doze posições da "Saudação ao Sol". Me sinto ótima e quase um metro mais alta. O Deus do Sexo não será capaz de resistir à minha nova, radiante e feminina personalidade.
16:00
Acabei de descobrir que Libby usou meu último absorvente para fazer uma rede para suas bonecas. 16:30 Ela também usou toda a minha base cremosa Starkers no seu panda, cuja cabeça está toda bege agora. 17:00
Não tenho outra base nem dinheiro para comprar uma nova. Talvez tenha que matar minha irmã.
17:15
Não. Paz. Ohm. Paz Interior
. 20:00 Aahhh. Quem cedo dorme cedo madruga.
21:30 Acordei com um susto. Achei que já fosse hora de levantar. Meia-Noite Deveria ou não usar minha saia lápis amanhã?
Segunda-Feira, 7 de setembro
8:30 Dormi demais e tive de correr para pegar uma carona com papai até a casa de Jas. Não tive tempo para a ioga nem para a maquiagem. Ah, começo amanhã. Só Deus sabe como o Dalai Lama se vira no dia-a-dia. Ele deve acordar ao amanhecer. Na verdade, li em algum lugar que ele acorda mesmo ao amanhecer. 8:45 Jas e eu corremos feito umas loucas ladeira acima até o portão do colégio. Achei que
minha cabeça fosse explodir, meu rosto estava todo vermelho, e também lembrei na hora que não estava com minha boina. Dava para perceber a Olho de Águia no portão do colégio, de forma que não havia tempo para o método da salsicha. Eu simplesmente enterrei-a na cabeça. Merda, merda, ufa, ufa. Enquanto eu corria até o portão, esbarrei de repente no Deus do Sexo. Ele estava DIVINO no seu uniforme. Estava com seus colegas, dando risadas e andando todo descolado por ali. Ele me olhou e disse: - Você é esforçada. - Tive vontade de morrer.
9:00
Minha única esperança é que a) ele não tenha me reconhecido e b) se o OS me reconheceu, que ele goste de garotas que têm um visual "encharcado, estúpido e idiota".
9:35 Depois da assembléia, corri para o banheiro e me olhei no espelho. Meus piores receios foram confirmados: eu sou uma monstrenga! Olhos pequenos e inchados, cabelo tão emplastado que parece estar grudado no crânio. Um nariz vermelho IMENSO. Pareço um tomate vestido com o uniforme da escola. Bem, fazer o quê...
16:00
O sinal acabou de tocar. Que ótimo, agora posso ir para casa e me matar.
19:00
Na cama. Tio Eddie disse que há uma força invisível e inexplicável agindo aqui dentro do quarto ... Bem, se esse negócio for mesmo verdade, por que escolheu logo a mim como vítima?
Continua amor' >.<
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